segunda-feira, 22 de junho de 2009

Um poema para alegrar a semana!

“A Banda”, Chico Buarque de Holanda*

Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Pra ver, ouvir e dar passagem
A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou

E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor






*Jornal da Poesia

domingo, 21 de junho de 2009

E nasce um texto

Está saindooooooooooooooooooo! Viva! Viva! Viva!

Finalmente, felizmente, francamente, o meu trabalho de conclusão de curso está surgindo! Palavra por palavra. Frase por frase. Uma a uma, o ensaio ganha vida, consistência, forma! Mas confesso que é uma luta dura. Parece que as palavras não querem ir para o papel!

Isso me faz lembrar um poema de Drummond, em que ele diz ter dentro dele um verso que “não quer sair”. Vamos ao texto:

“Poesia”*

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.



Assim com o poeta mineiro, também tenho dentro de mim um verso. Um não. Vários versos, inquietos e vivos, porém, eles não querem sair. E provavelmente gastei mais de uma hora para notar isso. E estou ficando nervosa, pois tenho que escrever!!!!!



Mas farei como Carlos Drummond: vou deixar a poesia inundar a minha vida inteira. Não só a vida, o papel também, como uma Aurora!


"Aurora", Carlos Drummond de Andrade*


O poeta ia bêbedo no bonde.
O dia nascia atrás dos quintais.
As pensões alegres dormiam tristíssimas.
As casas também iam bêbedas.

Tudo era irreparável.
Ninguém sabia que o mundo ia acabar
(apenas uma criança percebeu mas ficou calada),
que o mundo ia acabar às 7 e 45.
Últimos pensamentos! últimos telegramas!
José, que colocava pronomes,
Helena, que amava os homens,
Sebastião, que se arruinava,
Artur, que não dizia nada,
embarcam para a eternidade.

O poeta está bêbedo, mas
escuta um apelo na aurora:
Vamos todos dançar
entre o bonde e a árvore?

Entre o bonde e a árvore
dançai, meus irmãos!
Embora sem música
dançai, meus irmãos!
Os filhos estão nascendo
com tamanha espontaneidade.
Como é maravilhoso o amor
(o amor e outros produtos).
Dançai, meus irmãos!
A morte virá depois
como um sacramento.

*Memória Viva de Carlos Durmmond de Andrade

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A paródia e o Original!

"No meio da folha", Cláudia Dans

No meio da folha tinha um vazio
tinha um vazio no meio da folha
tinha um vazio
no meio da folha tinha um vazio.

Sempre me lembrarei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão cansadas.

Sempre me lembrarei que no meio da folha
tinha um vazio

Tinha um vazio no meio da folha
no meio da folha tinha um vazio.
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"No meio do caminho", Carlos Drummond de Andrade*

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
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terça-feira, 2 de junho de 2009

Eu sou um livro!

Não se assuste caro leitor. E nem pense em ligar para algum psiquiatra ou hospício, pois não estou louca, ainda, a ponto de achar que sou um livro. Mas se fosse possível tal transformação, gostaria de ser um grande livro! Um clássico, de preferência. Comentado, discutido, analisado, enfim, um sucesso de crítica e de público!

E que livro eu seria? Ah, MEMÓRIAS POSTUMAS DE BRÁS CUBA*, de Machado de Assis! (Se alguém citou algum livro do Paulo Coelho, sugiro que busque tratamento médico urgente!).

Numa das minhas visitas ao Orkut, como fake (não adianta perguntar que não direi nada sobre o meu eu ficcional!), descobri um teste que tem tudo a ver com Literatura: Que livro você é?

O teste está no site Educar para Crescer e consiste em responder 10 questões. Ao final, você descobre se é “um livro nacional” ou “um best-seller ultrapopular ou um relato intimista”. Sem sombra de dúvida, uma ideia maravilhosa! E é claro divertidíssima!

Então, que livro você é? Para saber entre aqui! E bom teste!




*No teste, sou Memórias Postumas de Brás Cubas! Mas ficaria feliz se desse algum livro de Clarice Lispector, de Graciliano Ramos, Fernando Pessoas, Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, etc., etc., etc.