sexta-feira, 15 de março de 2013

Diário de um TCC: dia... já perdi a conta!

Depois de um grande hiato, aqui estou eu, novamente para falar do meu querido (sem ironia) TCC. E trago boas notícias. Já tenho 6 páginas de analise!
 
 
 
eheheheheheheheheheheheheheheheheheehehehehehehehehehehe
 
 
 

 
Isso é mais que bom! É maravilhoso! Claro que eu já deveria ter escrito mais, contudo, redigir seis páginas é significativo, principalmente, se pensarmos que tenho que analisar um romance de 164 folhas. Ou seja, já analisei aproximadamente 40 páginas. Isso é que ter poder de síntese! Ou seria de analise?
 
 
 
 
 
 
Não importa! O importante é que o meu TCC está nascendo, leeeeeeeeentamente, mas ele está vindo! Para minha alegria!
 
 
 
 
 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Eu quero uma poesia!

Hoje é dia da poesia! Hoje é dia da palavra que cria novas imagens, novos sons e novas palavras!
 
Hoje eu quero uma poesia! Apenas uma poesia! Repleta de sons, de imagens e, principalmente, de palavras!
 
Hoje eu quero a poesia de Manoel de Barros, que tira e cria a sua poesia da simplicidades das coisas que se espalham pelo chão e pela mente! E que hoje alimentam o meu desejo, incontrolável, de ter e ler POESIA.






O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS, Manoel de Barros*


 

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que as dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor os meus silêncios.




*In: Memória inventada: infância. São Paulo: Planeta da Terra, 2003.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Feliz Dia das Mulheres

Menina, moça, mulher. Feminino. Enfim, eu sou mulher! E com muito orgulho!
 
E para homenagear todas as mulheres, que trabalham, que amam, que estudam, que lutam para mudarem o mundo, ofereço flores e poesia!
 
 
 
 
A Mulher que Passa, Vinicius de Moraes
 
Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! Como és linda, mulher que passas
que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Porque me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passa?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.


in: Antologia poética. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 108