sábado, 16 de fevereiro de 2008

Quando a paixão é uma História em Quadrinho

Antes de chegar a Literatura, ou mais especificamente, antes de descobri-la, eu era (e ainda sou) uma leitora de História em Quadrinhos!

Comecei pelos clássicos dos quadrinhos: Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e companhia limitada. Ou seja, passei boa parte da minha infância lendo os gibis do Mauricio de Souza. Mesmo hoje, ainda leio esses gibis, divertindo-me como na infância.

Depois dos clássicos nacionais, descobri os super-heróis. Homem-Aranha, Os Vingadores, Quarteto-Fantástico, X-men, entre outros. Foi paixão a primeira vista, e uma pequena coleção relida de tempos em tempos. Grande parte dessa coleção é formada por revistas dos X-men e o anti-herói Wolverine! E algumas do Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, Capitão América, etc. Mas independente do que tenho, (alguém vai perguntar por que não tenho Batman, mas isso eu comento numa outra postagem!), foi por causa desses gibis, como é chamado história em quadrinhos aqui no Brasil; que descobri os livros e posteriormente, a Literatura.

Novamente, alguém vai me perguntar qual é a relação entre História em Quadrinho e Literatura. O primeiro ponto: a narrativa. Tanto uma como a outra apresentam o predomínio da narrativa, da ação, com direito a clímax e suspense. Ademais, uma vez que a Literatura é classificada de arte, as Histórias em Quadrinhos também são obras de arte. Alguns desenhistas podem ser chamados de Michelangelos ou Da Vince modernos. O mesmo pode se dizer dos roteiristas, verdadeiros gênios da palavra, que criam personagens marcantes e aventuras dignas de grandes autores da Literatura.

Para justificar o que digo, cito dois grandes autores de Histórias em Quadrinhos. Dois grandes roteiristas que sabem como ninguém contar uma ótima história. São eles, Alan Moore e Neil Gaiman. Autores ingleses, Moore escreveu As Aventuras da Liga Extraordinária e Gaiman, Sandman. Confesso que ainda não li estas duas obras (pecado mais do que mortal!), porém pude apreciar, por minutos, os desenhos de Kevin O’Neil e de Dave Mckean, respectivamente artistas da Liga e de Sandman. E tentar definir tais imagens é no mínimo chover no molhado, mas são lindíssimos! Na verdade, é um belíssimo casamento entre palavra e desenho, e essas duas obras representam perfeitamente tal união.

Para aqueles que desejarem maiores informações sobre os dois autores recomendo o site UNIVERSO HQ. Lá, caríssimo leitor, você poderá ler uma resenha sobre a As Aventuras da Liga Extraordinária, e outra sobre a adaptação desta HQ para o cinema; e uma reportagem a respeito de Neil Gaiman, que foi lida e relida por esta que vós fala! Em relação aos desenhistas, aponto Frank Miller.

Desenhista, roteirista, Miller é fantástico. Com o seu traço impecável, ele já desenhou inúmeros personagens, mas foi com Wolverine, que não só descobri o desenhista, como também o roteirista genial. Na aventura intitulada WOLVERINE, minissérie de quatro partes escrita por Chris Claremont, Miller transforma o mutante mais popular dos X-men num ser perfeito. Particularmente, adoro essa história, e adoro ainda mais o desenho! Outro desenhista maravilhoso é Alex Ross.

Desenhista de Marvels (Marvel) e de O Reino do Amanhã (DC), Ross é sensacional. Sua arte é realista no sentido mais especifico da palavra. É como se os personagens ganhassem vida, existência concreta. Na verdade, não há muito que se falar sobre sua obra, o melhor mesmo é ver, ver atentamente, lentamente, pois os desenhos de Alex Ross não combinam olhares rápidos e fugidios! Como aperitivo, visitem o site de Ross (clique aqui), mas sem pressa!

Claro que há inúmeros grandes autores e desenhistas de Histórias em Quadrinhos, dignos de nota e de comentário, contudo, ao me referir a esses artistas, evidencio não só a popularidade, mas também à minha preferência. Entretanto, ao escolher tais nomes, mostro que eles fazem o mesmo que os grandes autores da Literatura Universal fazem: transformam simples idéias em grandes e memoráveis narrativas.

Desde o inicio, o que me chamou e ainda me chama atenção, seja nos Quadrinhos ou na Literatura, é a narrativa, e mais do que isso, como a história é contada. Obviamente, uma HQ tem os desenhos que ajudam a contar a história, mas antes do desenho ganhar vida, ele era palavra. Era uma simples palavra. E só um desenhista primoroso pode transformar palavra em desenho, imagens abstratas em imagens concretas. Provavelmente alguém dirá que na Literatura também pode ter desenhos. Certamente, mas tais desenhos surgem também da palavra. Isto é, sem palavra não há ilustração.

Enfim, tanto a Literatura como as Histórias em Quadrinhos tem, a meu ver, vários pontos em comum, e sem sombra de duvida um deles é o fato que sem palavras, ambas não passam de folhas soltas, sem vida e sem cor. Porque toda Grande História só ganha vida eterna quando a Palavra a eternaliza na alma de quem às lê.
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Apesar de atrasado, este texto é uma pequena homenagem ao dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, comemorado dia 30 de janeiro e também a todos que amam Histórias em Quadrinhos!
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O Amor na Literatura

Hoje, na Europa, no Canadá e nos Estados Unidos, é dia de São Valentin, é Dia dos Namorados.

Como aqui tal comemoração ocorre apenas em junho, resolvi antecipar e recorri a Literatura, mais especificamente a Brasileira e mais profundamente a Moderna, para festejar o sentimento símbolo dessa data: o AMOR.

Claro que poderia utilizar minha experiência e falar sobre o Amor. Porém, acredite, ela não é digna de nota, nem de leitura. Sendo assim, fiquemos com a Literatura, pois esta sim é digna de leitura, de releituras e de muitas outras leituras.

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Aceitarás o amor como eu o encaro?..., Mário de Andrade*

Aceitarás o amor como eu o encaro ?...
...Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.

Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.

Enigma do amor, Murilo Mendes*

Olho-te fixamente para que permaneças em mim.
Toda esta ternura é feita de elementos opostos
Que eu concilio na síntese da poesia.

O conhecimento que tenho de ti
É um dos meus complexos castigos.
Adivinho através do véu que te cobre
O canto de amor sufocado,
O choque ante a palavra divina, a antecipação da morte.
Minha nostalgia do infinito cresce
Na razão direta do afastamento em que estou do teu corpo.

As sem-razões do amor, Carlos Drummond de Andrade*

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

É carnaval!

Mais uma terça-feira de carnaval que chegou e já se vai! Sinceramente, não sou amante de carnaval. Não me atrai esta festa pagã, multicolorida que para o país por quatro ou cinco dias. Prefiro o silêncio ao ruído das baterias que puxam os passistas. Prefiro à tranqüilidade a música animada e alta dos trios elétricos que arrastam milhões de foliões pelas avenidas.
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Enfim, prefiro contemplar as luzes que animam e alegram os foliões, mas que iluminam a minha escura terça-feira de carnaval!
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A todos que pularam ou que ainda pulam: Feliz Carnaval!