quinta-feira, 8 de abril de 2010

Tatiana Monteiro, eterna viajante!

Sinceramente, não sei bem o que dizer, nem o que escrever. Preferiria não escrever e não dizer nada, mas ainda sim vou tentar dizer algo!

Obviamente estou tento certa dificuldade. Na verdade, está difícil! Tenho as palavras na mente, mas no coração... só há tristeza. Uma tristeza enorme!

E ela aumenta ainda mais quando penso que sua partida aconteceu sem despedida, sem adeus, sem até logo. Apesar disso, vou me despedir!



Querida Tatiana!

Adoro você! De coração! Mesmo não a conhecendo pessoalmente, considero-a uma grande amiga, com quem tive a honra e o prazer de trocar e-mails, de conversar no MSN e, principalmente, de trabalhar, já que você era minha editora no Prosa em Verso. Ainda me lembro como se fosse hoje o e-mail que você me mandou, convidando-me para ser uma das colunistas do site e para falar de Literatura. Confesso que você pegou no meu ponto franco: escrever sobre Literatura. Mas amei o convite! Foi uma das melhores coisas que me aconteceram em 2009.

Hoje, eu soube que você partiu! Infelizmente essa viagem não terá retorno. Eu gostaria de ter me despedido, de ter te desejado boa viagem. Mas foi tão inesperado! Repentino! Tanto que nem tive a chance de dizer adeus. Mas não importa! Sei que meus pensamentos e vibrações chegaram ai onde você está agora! Além disso, algo me diz que você ficará bem! Na verdade, ficará super bem!

Obviamente, sentirei saudades. Mas não se preocupe, o tempo é o melhor remédio para todas as dores do corpo e da alma. No inicio, será difícil entrar no MSN e não ver mais o seu nome e a indicação de online-ausente. Agora mesmo estou me segurando para não chorar, pois lágrimas e computador não combinam, né? Mas como disse, isso é passageiro.

Ah, gostaria de te dar um presente. Um poema, que tem tudo a ver com você: “Vou me embora pra Pasárgada”, do Manuel Bandeira. Vou transcrevê-lo aqui, pois a vida, Tatiana, precisa ser comemorada sempre com muito amor, alegria e poesia. E mesmo quando ela termina, ela continua eterna. Na verdade, a vida é eterna. E você, minha querida amiga, será eternamente querida e amada.

Fique com Deus!




“Vou-me Embora pra Pasárgada”, Manuel Bandeira*



Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.



* Releituras